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Artigo

Carro, moto, gente, voto

[Carro, moto, gente, voto]
19 de Outubro de 2020 às 06:00 Por: Victor Pinto

Parafraseando um ex-presidente, nunca antes na história do País se falou e valorizou tanto uma carreata em um período eleitoral como esse. A pandemia do novo coronavírus fez remodelar a forma de fazer campanha, embora em muitos locais isso não ter sido um dificultador para continuar as grandes aglomerações. Contudo, a santa e inocente Justiça Eleitoral e o poder público, que fazem vista grossa para beneficiar os seus, acreditavam em uma eleição drive-in, com políticos respeitando protocolos.

O formato de drive-in chegou a ser implementado em vários lugares do Brasil: o modelo de cinema americano antigo de assistir shows, filmes e apresentações culturais dentro dos carros; compras feitas pela internet e retiradas em pontos estratégicos por veículos; aumentou o número de entregas a domicílio feitos por motoqueiros. No fim das contas, o carro virou uma redoma de proteção diante da Covid-19. O veículo particular, em tese, é frequentado, comumente, por membros de um mesmo ambiente. 

A famosa carreata seria essa forma drive-in de fazer campanha. Nas mais diversas modificações da legislação eleitoral, esse instrumento se manteve intacto e presente. Até o ato de dar gasolina não chega ser caracterizado com um ilícito se obedecendo uma equalização, por exemplo, da quantidade de litros e não contendo o pedido do voto implícito e muito menos explícito, como algumas jurisprudências remetem.   

Muitas campanhas priorizaram esse mecanismo antigo para mostrar força de um candidato. Em Salvador, uma cidade imensa, maior do Estado, não chega a ser tão pujante, mas quando você desce para o interior, a carreata se torna um ato de parar a cidade. As fileiras de carros, com buzinas, som alto, bandeira, pisca alerta ligado, engarrafamento… 

Tal qual um desfile de escola de samba, uma carreata possui setores: nas laterais os organizadores que buscam abrir os caminhos para passagem do desfile, na comissão de frente vão as motos, em seguida um carro de som com os candidatos e apoiadores importantes em cima, e logo atrás os demais veículos. 

Os empiristas de campanhas eleitorais falam que pesquisa boa é aquela em que menino e o velho ficam nos banquinhos contando quantos carros passaram em determinado ponto e com quantas pessoas tinham em cada veículo e comparar com outra do time adversário. Na modernidade é a visão da foto panorâmica ou a filmagem de drone que impressionam. 

O instituto da carreata foi ressignificado com uma melhor valorização, assim como a publicidade digital e as inserções no rádio e na televisão. Tem uma música, e em toda eleição interiorana que se preze tem ela na playlist, que demonstra o grau e traduz o momento. A letra nos diz assim: “Nos quatro cantos da cidade, na zona rural, é assim óh: é carro, é carro, é moto, é moto, é gente, é gente, é voto, é voto”. Dos males o menor, pelo menos as famosas carreatas tendem a animar e, de certo modo, tentam fazer uma aproximação do candidato com o público. Pura frivolidade, porque proposição ou ideia que é boa, isso ela não passa nada.  

 

Victor Pinto é editor do BNews, jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura jornalística e na área administrativa de rádios em Salvador. 

Twitter: @victordojornal

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