Economia e Mercado

Falta de garrafas e latas tira cerveja do mercado

[Falta de garrafas e latas tira cerveja do mercado]
28 de Novembro de 2020 às 12:52 Por: Marcos Santos/USP Imagens (Fotos Públicas) Por: Redação BNews

O verão se aproxima e as cidades do Nordeste se tornam destinos principais para quem quer curtir a alta estação. No entanto, aqueles que gostam de uma boa e velha cervejinha, a região pode ser a menos recomendada, por ser uma, juntamente com a Norte, das que estão com maior dificuldade devido à falta de latas e garrafas para armazenamento da bebida.

Isso porque a falta de insumos como vidro e latas para a confecção das embalagens, vem prejudicando pelo menos 14 segmentos da indústria, principalmente as cervejarias. Segundo dados da Neogrid, empresa especializada na gestão da cadeia de suprimentos que atende 40 mil lojas grandes e médias no País, a  ruptura de cerveja, ou seja, a taxa de ausência desse produto no mercado, chegou a 18,92% em outubro, contra os 12,4% no mesmo período do ano passado.

"Não é um desabastecimento que deve fazer o consumidor sair correndo para estocar cerveja, mas é possível que ele não encontre a marca que gostaria na embalagem de preferência. O efeito de ruptura mede que a loja tem 80 'apresentações' quando, na verdade, deveria ter 100", explicou o CCO da Neogrid, Robson Munhoz.

"Apresentação" é o termo utilizado para segmentar os tipos de produto disponíveis. Por exemplo, se um atacarejo vende tanto o pack de cerveja como as unidades soltas, então esse estabelecimento trabalha com dois tipos de apresentações. Se uma delas some do estoque, já se considera que há uma ruptura, por mais que a outra apresentação ainda esteja disponível para compra.

"Algumas indústrias estão escolhendo envasar uma ou outra cerveja em uma determinada apresentação por causa da dificuldade momentânea que o setor está tendo para conseguir lata e vidro. Não é um problema isolado, é o mercado todo. O efeito lata e vidro afeta toda a cadeia que usa esse insumo como base de envase", disse Munhoz. "A região que a gente percebe mais dificuldade é a Norte e a Nordeste, por causa da geografia. Temos muitas fábricas no Sul e no Sudeste, então é natural que você produza e entregue aqui com um frete mais em conta."

As cervejarias admitem dificuldades com o abastecimento de insumos, mas ressaltam que se trata de um problema pontual. A Ambev, que inaugurou em setembro uma fábrica de latinha em Minas Gerais para fazer frente ao aumento da procura durante a pandemia, disse que segue atendendo seus clientes e tem feito um esforço extra para atender à demanda crescente.

O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) disse que a falta de insumos é um reflexo do impacto de fornecimento que vem afetando diversos segmentos em "um contexto atípico motivado pela pandemia, tanto na cadeia de insumos como na retomada acelerada dos últimos meses".

"Especificamente no setor cervejeiro, estamos enfrentando desafios pontuais com alguns insumos inerentes ao negócio, mas buscando junto aos fornecedores soluções para a normalização e menor impacto possível ao processo", escreveu o sindicato.

Procurado, o Grupo Heineken disse que só se posicionaria por meio do Sindicerv. O Grupo Petrópolis disse que não teve problema, "pois as empresas de latas e garrafas cumpriram com o que estava em contrato".

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